Conversas de treta...

Devaneios... Nada mais...

quinta-feira, Julho 17, 2008

Permanente

Não gosto muito de canetas. Normalmente escrevo sempre com lápis. É mais fácil para emendar ou apagar...
A vida continua...

terça-feira, Maio 27, 2008

quinta-feira, Junho 14, 2007

O acordeão

Os ventos favoreciam Mário. A sua vida, apesar de não ser regada de extravagâncias e luxos ganhara nos últimos tempos um brilho especial. Mário era sujeito bastante peculiar. A sua vida era ganha nas obras de contrucção de civil. Fazia um pouco de tudo, desde carpinteiro, passando por trolha a electricista. Trabalhava onde houvesse emprego e saltava de obra ao sabor do nascimento de novos prédios. Caso usasse fato e gravata chamar-se-ia um freelancer ou um outro qualquer nome pomposo, assim o mais habitual era ser chamado, com algum desprezo, de trolha. Vivia numa casa atarracada mesmo em plena freguesia da Graça. Não era grande mas tinha tudo o que necessitava. O seu pequeno quarto ladeado pelo wc com poliban e uma sala/cozinha. Não precisava de mais nada. Assim havia sido desde o seu penoso divórcio à mais de 4 anos. Foram tempos conturbados para si. Revoltou-se para o mundo. Os divórcios quando só uma parte do casal envolvida é que os pretende são sempre mais penosos. Foi nessa altura que teve de abandonar Mirandela. A cidade era demasiado pequena para ele. Em todos os cantos, uma recordação saltava dos doces tempos em que esteve com Manuela... e pior que isso, com frequência se cruzava com ela e o turbilhão emocional volta a inundar o seu peito de uma dor terrível. Manuela, no meio do processo conseguiu ainda ficar com a custódia dos gémeos. Nas cidades pequenas as notícias correm depressa. Rapidamente toda a população da vizinhança soube do acontecido. Rumores espalharam-se sobre a nobreza de Mário, sobre o seu amor, sobre infidelidade. Na realidade era Manuela que andava amantizada com outro homem de cidade vizinha. O amor tem destas coisas... Não quis ferir a reputação de sua queria esposa, perdão, ex-esposa, e deixou com que esses rumores ganhassem veracidade, até que para aquele pequeno, apenas isso existisse. Era insuportável! A sua resposta foi abandonar aquele local tão aconchegante e ao mesmo tempo tão apoquentador. Mudou-se para Lisboa. E desde então viveu a cidade com o desamor que havia sido a razão que o tinha trazido. Os seus hábitos incluiam ver a bola no café da esquina, e jogar à sueca na tasca do careca, sempre acompanhado da sua aldeia nova. Eram os únicos luxos que tinham. Todo o dinheiro que juntava era depositado numa conta a que os gémeos teriam acesso quando tivessem a maior idade. No entanto fazem hoje duas semanas conheceu Gabriela, uma romena imigrante na também sua cidade de acolhimento. A necessidade de alguém mais intimo fez com que se encontrassem todos os dias. Era curioso, Manuel havia imigrado precisamente para o país de Gabriela na sua juventude. Por lá passara uns dez maravilhosos anos em que aliara árduo trabalho a um doce boémia. Esses anos fizeram-no crescer imenso. Agora no seu 44 aniversário, passavam 10 anos da sua estadia por esse país, um cheiro da sua juventude apareceu e revitalizara-o. Estava a adorar aquela nova energia que o fazia cheirar a cidade de modo diferente, percorrer cada caminho com a cabeça bem erguida, descobrindo em cada esquina um motivo para sorrir. Hoje iria dar-se a um luxo. Iria com Gabriela jantar a um desses novos restaurantes esquisitos com comida de um país qualquer esquisito, chinês, ou nepalês, ou qualquer coisa acabada em –ês. Não importava. Estava sedento sedento de novas experiências. No restaurante, mesmo à margem do Bairro Alto, esperava Gabriela... 10 minutos, 30 minutos, 1 hora... Nada... Desesperava... Sentia a sua energia a escapar-se por todos os poros. Pagou as suas cervejas e as entradas e saiu do restaurante. Só isso ja havia sido um luxo, no entanto, caminhava agora cabisbaixo em direcção ao Austin Metro branco, pintalgado aqui e ali com algumas manchas que o tempo e a oxidação do metal não perdoam. Parou numa cabine telefónica e tentou ligar-lhe. Esteve 30 minutos remarcando o número sem que do outro lado houvesse sinal de vida. Passou a noite e ainda com olheiras de quem passou uma noite muito mal dormida regressou ao trabalho. Ao lá chegar foi chamado pelo Mestre de Obras. Tinha uma mensagem para si. O mestre disse-lhe que tinha passado por lá uma senhora de longos cabelos loiros e uns olhos azuis onde qualquer homem facilmente se afogaria e lhe havia deixado uma mensagem. E nisto entregou-lhe um papel dobrado em quatro.

Manuel,
Sinto muito. Gostei dos tempos que passamos mas tive de ir visitar uns amigos a Espanha. Espero que compreendas. Preciso de ter contacto com algumas raízes da minha terra.
Até Sempre,
Gabriela.

Manuel ficou branco como a cal. Assustou mesmo o Mestre de Obras. Este de imediato, com medo que houvesse algum acidente de trabalho (e quando o trabalho é ilegal é bastante problemático para o empregador) de imediato dispensou-o pelo dia. Rapidamente enfiou-se no seu automóvel, fiel companheiro de longa data, e partiu em direcção a casa. O tempo estava escuro e umas pingas escorriam pelos vidros do carro. Resolveu não ligar as escovas... “Caro companheiro... Fazes tu o que eu não consigo. Chora! Deixa as lágrimas escorrer, já que eu sou demasiado cobarde para isso!” A viagem foi longa. Ou assim pareceu. Quando chegou ligou o duche bem quente. Queria tentar lavar o sujo que sentia, a mágoa que queimava! Nada resultava! Os mesmos sentimentos que enterrou, voltavam a assombra-lo! Mais uma vez perdera toda a fé na raça humana! Numa atitude drástica fez um pacto consigo mesmo! Iria fazer um teste à humanidade! Caso houvesse apenas uma pessoa que superasse esse desafio, tentaria de novo viver. Aparou o seu farto bigode, com o cabelo mais comprido escondeu parte da careca, vestiu o seu único fato, já bastante roçado e usado e desenterrou do fundo do armário o seu velho acordeão. O teste seria muito simples! Iria entrar no metro no Rato em direcção a Odivelas, e depois na regresso, ambas em plena hora de ponta. Ao longo das carruagens iria tocando diversas músicas que aprendera nos seus tempos boémios pelos lados da Moldávia e houvesse só um sorriso, olhos nos olhos, o teste seria ultrapassado. No dia seguinte pôs mãos à obra e rapidamente teve o seu resultado. As pessoas nem olhavam para ele. Pareciam ignorar a sua presença. Uma ou outra ainda pegou numa moeda e procurou um local onde coloca-la, certamente com pena ou apenas para retirar um qualquer peso na consciência. Sorrisos? Nem um! Contacto olhos nos olhos? Menos ainda. Nessas viagens havia sido ninguém e assim continuaria. O reverso do teste... Sentia-se ainda pior! A decisão... chegou... não fazia mais nada no planeta. Não iria continuar por continuar. Chegara o momento de acabar com a sua miserável vida. Dirigiu-se para a ponte 25 de Abril. No seu carro estava toda a sua gaveta de medicamentos. Ingiriu todos os que pode. A maior parte nem sabia para o que eram nem para o que serviam. Haviam sido acumulados ao longo dos anos fruto de uma outra doença. E depois disso saltou... Ninguém mais o viu... ninguém mais soube a sua história. Era apenas mais um que seria esquecido.

quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Pensando em voz alta

Lentamente o papel vai sendo consumido pela brasa que vai destruindo o tabaco. É engraçado... é nestes momentos que estás isolado do mundo que mais coisas parecem fazer sentido... que mais coisas se mostram ao nosso ser aluado. A lua... Essa está grande! Tem uma orla redonda em seu redor. Lá no final do areal, o mar ronrona. Ai o mar! Ui! Já começa a queimar os dedos! A brasa já consumiu tudo o que nos consome. Está no filtro! É melhor livrar-me da beata. O vento silva na janela entreaberta do quarto... Não quero mais! Não, quero mais! Não sei o que quero! Quero tudo! Tenho tudo? Não consigo ficar deitado aqui parado e murcho nestes pensamentos e sentimentos e agonia lúcida. Abro a porta e saio. Está um nevoeiro cerrado. Consegue sentir-se a água embatendo na pele descoberta. Custa um pouco habituar-me. Está frio! A sensação é agradável. Estava a precisar de sentir a água nas bentas... Parece que me ouço a pensar melhor. A praia está deserta. Está uma praia de inverno. Uma praia de Inverno é diferente de uma praia de Verão. É pena que não haja mais pessoas que conheçam as praias de Inverno. É tudo levado na maré do “mainstream”. Não há muita criatividade ou originalidade. São todos demasiado conformistas e comodistas. É mais agradável fazer o que todos fazem. Não cansa tanto... Enfim... tristes... A areia está dura. Os pés não se enterram como no Verão...

Porque é que a pessoa certa é a errada? Ou será a errada que é a certa? Sorte? O que é a sorte? Não estamos só aqui, tal como todos os habitantes deste iludido mundo , para dar continuadade à espécie? Não são todas as atitudes que tens, que fazes, todos os objectos e utensílios que usas, todas as verdades, mentiras, artificios que empregas, métodos que a Natureza te dá para que a evolução continue e a tua espécie não definhe para a extinção? Quantos anos tenho? Já lá vão 30... O que fiz? Melhor, o que fiz de importante? Algo que se veja, algo que realmente interesse... Não sei... Terá sido tudo para proveito próprio? Para o bem estar enquanto e depois concebo um ser da espécie para dar continuidade à evolução? Odeio-te... Amo-te! Qual a diferença afinal?

Tinhas de chegar agora??? Estava tão bem nos meus pensamentos... Estavas tão bem nos meus pensamentos... Podias ficar lá e não sair. Não aparecer! Não falar! Pensar é melhor que sentir. Não quero sentir! Não posso controlar. O pensar posso... Por favor... por favor não digas nada... não aguento sentir-te! Vê-me aqui e vai-te! Não esperes por mim! Não venhas ter comigo. Vai-te. Ainda não consegui ultrapassar-te! Andas demasiado depressa. Fazes-me andar demasiado depressa! Eu sei... Eu sinto... Libertas-me... Quando estou contigo estou livre... vedadeiramente livre... Quem disse que o amor prende não amou. Ou não amei eu? Bolas! Confusão... Não gosto de me sentir confuso. Gosto de tudo a preto a branco. Uma raposa persegue a lebre. O contrário não acontece! E uma raposa nunca ama uma lebre! E uma lebre foge da raposa. Tudo tem uma ordem natural! Terá? Obedecemos a ordens? A regras? Ditadas por alguém? Escritas por alguém?

Tanto fingimento, tanta argucia, tanta maquilhagem. Porque não alguém real??? Ou melhor, alguém real e interessante... Interessante??? O que é isso??? Nada faz sentido? Onde está o livro que ensina a viver?

Porque não dizer o que realmente penso? Aliado a todos os preconceitos, estigmas impostos por uma sociedade que define o comportamento de cada individuo para um suposto bem maior? Seria capaz de me expor assim a alguém? Quem mereceria ter esse conhecimento? É necessário coragem? É demasiado feio? Monótono? O quê??? Cortava a magia? Ou aumentava?

quinta-feira, Dezembro 21, 2006

Finalmente o fim?

Brevemente o conversas de treta irá fechar portas... Chegará ao fim o blog que teve inicio em 2003. Foram 3 longos anos. Um ciclo acaba, um novo começa...

Mais novidades em breve...

quinta-feira, Dezembro 14, 2006

terça-feira, Dezembro 12, 2006

Já me tinha deixado disto

Já me tinha deixado disto... mas não resisti a colocar isto aqui:
Death Cab for Cutie - I will follow you into the dark

quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Sonho

Sonhei que gritavas por mim! Ao acordar não estavas lá. Isso não se faz! Não me podes prender e depois não libertar!

terça-feira, Novembro 14, 2006

Diálogo sem música de fundo

-Quém és?
-O que fazes?
-Porque estás aqui?
-Quanto tempo mais vais estar aqui?
-Vais estar aqui quando acordar?
-Fica! Fica mais um pouco! Não me deixes sozinho outra vez! Não vou suportar!
-Bolas! Porque fazes sempre isso? Preciso de ti! Vá lá! Não vás! Achas que sou um falhado? Eu não falho! Eu não posso falhar!
-Toca-me! Quero sentir-te! Deixa-me reconfortar no contacto da tua pele!

Lentamente e sem dizer uma palavra começou a vestir-se. Primeiro o fio dental dental e logo de seguida o soutien que davam outra postura aos seus seios já algo descaídos. Finalmente as meias de renda e logo de seguida o curto vestido lilás.

-Puta!
-Fodasse! Sim sou puta! Não sou nenhuma psicóloga! Não tenho troco! Para a próxima faço-te mais baratinho!, respondeu batendo a porta atrás si.

terça-feira, Outubro 31, 2006

Pedro e Inês, revisited

Apesar de alguns factos históricos serem correctos dentro do possivel, obviamente trata-se de ficção.
(Insultem-me à vontade!)



Ano: 1375
Deixem-me contar-vos a minha história. Recuemos 20 anos.

Não se pode dizer que o país vivia tempos turbulentos. Estava tudo calmo. Em poucos anos tudo mudou.
Juntamente com os meus grandes amigos, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves, frequentava assiduamente a corte e os desígnios do país mexiam connosco. Participavamos activamente para que todo o reino vivesse melhor.
O casamento do Pedrinho, perdão, do príncipe Pedro avizinhava-se e começava-se a sentir no ar o alvoroço de tal festiva ocasião. O nosso príncipe teve particular sorte na sua dama. Constança era uma mulher deveras interessante e de uma linhagem como poucas que traria um novo alento às relações do reino com Castela.
O tempo passou, o casamento deu-se e tudo parecia correr bem até chegar aquela malfadada aia que se dava pelo nome de Inês! Vi logo que uma mulher tão bela e sensual não poderia ser uma mera aia da nossa futura raínha! Era descendente dos Castros! Essa bastarda havia sido educada apenas com um intuíto: minar o reino português! Exercer influência sobre quem tem mais poder, ou viria a ter... Mau sinal mas quantas vezes nos enganamos e o que parece é apenas ilusão e a verdade está longe?
Infelizmente a primeira impressão era a que estava certa. Pouco tempo depois Pedro ficou cego! Deixou-se levar pelos encantos do corpo e pela manha daquela criatura! Cada dia que passava, Constança era mais posta de parte. Tal não podia continuar. Uma luz surgiu com o nascimento do filho varão de Pedro e Constança. De acordo com a igreja, uma relação entre um dos padrinhos e um dos pais de uma criança é algo de terrível, mesmo incestuoso. Constança convida então Inês para madrinha do seu filho varão.
A resolução do problema parecia estar à vista. Nada poderia estar mais errado. O que resultou foi na morte do inocente filho de Pedro e Constança. Fontes seguras, dizem que a trágica situação tinha um dedo de Inês.
Cada vez as débeis relações com Castela estavam mais fragilizadas e cada vez mais o príncipe era bombardeado por ideias dos malvados Castro.
O Rei precisava de fazer alguma coisa e a solução foi exilar Inês no castelo de Albuquerque. Finalmente chegaria a paz, pensavamos todos. No entanto o príncipe e Inês continuaram a trocar correspondência e no fatídico dia de 13 de Novembro de 1345, Contança morre a dar à luz o pequeno Fernando.
Isto só trouxe complicações! Pedro tinha agora uma oportunidade para voltar para Inês! Seria a desgraça! Cada vez era mais corrompido pelas ideias dos Castros e caso continuasse com esta influência demoníaca, o reino atravessaria tempos dificeis. Pedro resgatou-a de Albuquerque e diz-se que casaram em Leça do Balio, através de um padre renegado. De lá foram para Coimbra. A pressão de Castela era cada vez maior. O principe estava cada vez mais radical e tresloucado. Era necessário fazer algo mas as soluções escasseavam.
Aiiii... Como cega o amor! A única saída possível parecia ser terminar com a vida de tal vil criatura. A responsabilidade era grande e eu, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves ficamos com o peso da responsabilidade de cometar tal atroz acto.
A 7 de Janeiro de 1355 engendramos o esquema e tratamos de levar o plano avante. O que aconteceu depois foi terrível! Estavamos todos longe de saber que tal acção faria o querido Pedro revoltar-se contra o pai e iniciar uma guerra! Graça a Deus pela sábia Beatriz que conseguiu com que a paz voltasse. Entretanto Pedro ficou sedento de vingança. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram já assassinados. Trespassados pelas costas por uma espada... que atitude cobarde! Não mais se lembra de quem esteve sempre do seu lado durante a infância? Que triste! Resto eu, que vou vagabundeando de sítio em sítio sempre a olhar por cima do ombro. É uma história triste. O povo provavelmente não saberá metade do que passou. Preferirá sempre a visão romântica de um príncipe que encontra o seu amor de um modo inesperado. Preferirá as lendas do amor impossível que só não vence devido a uns odiosos seres que sem motivo matam a sua amada... Constança essa será mera figurante e nunca será raínha. O resto não será importante.

Está na hora de partir. Até à proxima!

Música do dia

Dusty Springfield - Son of a preacher man

quarta-feira, Outubro 18, 2006

Capitão Romance - Manuela Azevedo e Vozes da Rádio

É verdade... Rendi-me ao youtube... Aí fica uma versão fantástica versão do "Capitão Romance" da Manuela Azevedo e Vozes da Rádio. A qualidade não está nada de especial mas vale a pena ver!

segunda-feira, Outubro 16, 2006

Genial!

Acho poucas coisas geniais! Este video clip é genial! Penso que a banda e a música dispensam introduções!

O tempo voa!!!

Isto começou em Novembro de 2003!!!! http://conversasdetreta.blogspot.com/2003_11_01_conversasdetreta_archive.html e eramos mais. E era outra coisa... Está quase a fazer três anos!

Desencontro

Aqui vou eu na minha primeira incursão na escrita no feminino. (Especialmente pra Ana pro blog fuga de nada -> originalmente em -> http://fugadenada.blogspot.com/2005/05/desencontro.html . É só pra ter tudo arrumado no mesmo sítio :P )

Bolas pá! Não podias ter esperado mais um pouquinho? Não sabes que é tudo um jogo? Não sabes que eu não tenho sorte ao jogo? Não sabes que eu não sei jogar bem estes jogos de sedução? Sabes... já me magoei muitas vezes a jogar isto... estas feridas custam a sarar... quando entro nisto a minha mente tem mais força, e ordena que este meu coração que vive no mundo da lua onde tudo está em harmonia e o amor acontece, se interrogue sobre quem está a jogar comigo, se interrogue mesmo se é mesmo o jogo de sedução... se não é apenas uma química especial que todos temos com tantas pessoas mas que não significa que seja amor. Sabes, eu demoro a perceber essas coisas... Preciso de ter certezas... Preciso que o meu frágil coração se acomode na segurança de um cantinho e que o meu cérebro dê o seu aval. De certeza que estás a pensar que me deste uma hipótese... que fui eu que rejeitei... Fodasse! Não era rejeição... Desculpa... Expliquei-me mal... Precisava de tempo... Precisava de compreender... Precisava de certezas... E apesar tudo estavas sempre lá, fosse onde fosse, e a que horas fosse... É verdade... Significavas para mim muito que um amigo chegado, ou mesmo família. Mantinhas-me ao mesmo tempo na Terra e na Lua. Era já aquela relação sentimental, existencial muito mais forte que qualquer desejo carnal!

E ontem... Ver-te nos braços da Ana... Meu Deus... O meu coração explodiu em milhares de pedacinhos que continuo de rastos a recolher nesta valeta da minha vida. Não sei p que fazer... Não sei nada... Não sei em quem confiar... Quem devo escutar? O meu cérebro? O meu coração? mas sabes o que mais custa? Tu estás feliz... e por mais que te preocupes, ou digas que te preocupas comigo, estou em 2º lugar... Não sou A mais importante... e tu continuas com aquele brilho nos olhos de quem encontrou a sua cara-metade... A mim resta-me chorar... Queria tanto estar feliz por ti... Não consigo... Não é odio nem rancor... É saber que desperdicei o que pode ter sido a oportunidade da minha vida...

Vida

Mudo?

1ª pess. sing. pres. ind. de mudar

do Lat. mutu
s. m.,
pessoa que não fala;

(...)

domingo, Outubro 15, 2006

Facto

No penedo no meio do mar estavam as gaivotas em amena cavaqueira.
No penedo no meio da areia estava o bicho em completa solidão.

Perguntas

O que te faz sorrir?
O que te faz chorar?
O que te faz gritar?
O que te faz falar?
O que te faz confessar?
O que te faz segredar?
O que te faz quebrar?
O que te faz perder?
O que te faz encontrar?
O que te faz passar?
O que te faz voar?
O que te faz chatear?
O que te faz fugir?
O que te faz regressar?
O que te faz sentir vulgar?
O que te faz sentir especial?
O que te faz ficar ficar com um nervoso miudinho?
O que te faz ficar indiferente?
O que te faz fazer um sacrifício?
O que é preciso para te sentires feliz?
O que é preciso para te sentires miserável?
O que é preciso para te levar à loucura?
O que mexe contigo?
O que abominas?
De que tens medo?
Quanto aguentas até acabar?

quinta-feira, Outubro 12, 2006

Interpretada por: Madalena Iglésias
Másica de: Carlos Canelhas
Letra de : Carlos Canelhas




Ele e ela

Sei quem ele é, ele é bom rapaz, um pouco tímido até
Vivia no sonho de encontrar o amor
Pois seu coração pedia mais, mais calor

Ela apareceu e a beleza dela desde logo o prendeu
Gostam um do outro e agora ele diz
Que alcançou na vida o maior bem, é feliz

Só pensa nela a toda a hora, sonha com ela p'la noite fora
Chora por ela se ela não vem
Só fala nela cada momento, vive com ela no pensamento
Ele sem ela não é ninguém

Sei quem ele é, ele é bom rapaz, um pouco tímido até
Vivia no sonho de encontrar o amor
Pois seu coração pedia mais, mais calor

Ela apareceu e a beleza dela desde logo o prendeu
Gostam um do outro e agora ele diz
Que alcançou na vida o maior bem, é feliz

Só pensa nela a toda a hora, sonha com ela p'la noite fora
Chora por ela se ela não vem
Só fala nela cada momento, vive com ela no pensamento
Ele sem ela não é ninguém

Ele sem ela não é ninguém
Ele sem ela não é ninguém




E recordar é viver...

terça-feira, Setembro 19, 2006

Bem-vindo ao circo!

" - Senhoras e senhores, meninos e meninas, preparem-se! Vai-se dar início a mais um monumental espectáculo do circo!" e a música animada toca um pouco.
" - Apreciem! O nosso circo é especial! Apenas temos um artista! Não desanimem! É o melhor do mundo e faz todos números!"
Entra a música dos palhaços e juntamente com ela aparece na arena o artista! E lá vai ele pulando e fazendo patetices contagiando a plateia que ri!
" - Gostaram! Foi só o início! Preparem-se para o próximo número! Vitorini irá agora andar naquela corda que vêm dez metros acima das vossas cabeças! Peço silêncio! Não há rede de protecção! Vitorini tem de concentrar-se!"
No cimo lá aparece Vitorini vestido naquela licra justinha e colorida. Traz uma enorme bara e um mono-ciclo. Todos olham atentamente. Um outro desvia o olhar. Lentamente Vitorini começa a pedalar na corda bamba. " - oooohhh" grita a plateia. Vitorini parecia que ia desiquilibrar-se mas lá ganha à gravidade e chega ao outro lado!
" - Uma salva de palmas! Eu não disse que o artista era o melhor! Não parem as palmas! O mágico Vitorini está prestes a entrar"
Desta vez é uma música ambiente que entra cena e Vitorini lá vai entretendo a plateia com as suas cartas, fugas de correntes, aros quebrados e todas as magiquices.
O narrador desta vez não entra. Uma gaiola enorme sai do tecto, a varinha transforma-se em chicote e a mesa em cadeira! Entram os leões! A multidão gela. Vitorini tem a cabeça dentro da boca do mais possante animal daquela jaula! Tudo corre bem!
" - Palmas! Palmas! Vitorini merece!" - anuncia a voz para dar tempo a Vitorini de se mudar.
E de repente lá entra de novo a correr vestido de palhaço fazendo rir de novo toda a gente. Pelo meio pega nuns cones e numas bolas e começa malabarismo! Que arte como está tudo equilibrado!
"- E agora mais uma bola! Vitorini irá manter no ar seis bolas caros espectodores!"
Entra mais uma bola para o malabarismo... Vitorini não consegue equilibrar e caem todas ao chão! Bolas! Confiante pega de nova nelas e mais uma tentativa! Desta feita mantêm-se todas no ar e o público aplaude ao rubro!
"- Senhoras e senhores, meninos e meninos, e agora o número mais perigoso! Vitorini com a sua assitente irá efectuar um número de trapezismo a quinze metros do chão! Sem protecções!"
No alto Vitorini e sua assistante vão tomando balanço e vão trocando de balancé entre si enquanto o público permanece estático! Vai terminar o número! Vitorini ganha lanço para fazer três mortais e depois agarrar-se à sua companheira que o apanhará na hora certa. O momento aproxima-se... Um mortal, dois mortais, três mortais, a assistente estende as mãos..... Vitorini não agarra e a assistente não o apanha! Vitorini jaz numa poça de sangue no centro da arena. O silêncio impera!
A vida é um circo!