Devaneios... Nada mais...

quarta-feira, março 03, 2004

Agenda telefónica...

Tenho um defeito horrível! Esqueço-me rapidamente das pessoas, especialmente das caras... Se conhecer alguém num dia, posso passar no dia seguinte por essa pessoa e sentir que a cara não me é estranha mas não saber quem é... O porquê é simples... Essas pessoas no momento não são importantes ou então deixaram de ser. A primeira coisa que desaparece é o som da voz. Por vezes tento-me lembrar como soam determinadas pessoas e simplesmente não me lembro. Não faço a imagem (ou som :P ) mental disso. Depois vão as caras... E depois as recordações. Tal só acontece obviamente pelo que disse anteriormente (deixaram de ser importantes). Claro que a importância é muito subjectiva e pode ser relativa a muitos casos diferentes... mas isto só por isso dava tema para um livro... Voltando ao assunto... Há uns tempos atrás resolvi dar uma "limpadela" na minha agenda telefónica. Fiquei surpreso... e pela negativa... (acho eu... pelo menos em algumas pessoas...) Encontrei alguns números e nomes que já não sabia quem eram. Outros que já não lembrava a cara e outros que já não sabia como a voz soava... E isso foi um pouco triste... Foi preciso lembrar-me de arrumar a agenda, para me lembrar de pessoas que não via, ouvia ou lembrava há anos, meses, semanas, dias... E agora o que fazer? Continuar como até então? Ou dar uma reviravolta? A partir de agora não perder o contacto de ninguém? É um assunto polémico... mas que se chega a uma resposta fácil... As pessoas importantes não foram perdidas... Continuam lá... Com lugar de destaque, "fotografia" e "música". Essas não se perdem. Então porquê a tristeza? Porque não era tristeza... no máximo poderia ter sido nostalgia... Como diz o poeta nosso amigo Camões:
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


Pois bem, os bons sempre irão continuar com esse lugar e com certeza que novos se lhes irão juntar enquanto que outros porventura irão desaparecer... É a Vida no seu melhor! :)

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